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        Itália
        Casos

        Escândalo «Totonero»

        Texto por João Pedro Silveira
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        Com justiça, ou sem ela, a Itália é regularmente associada à criminalidade organizada. A história dos últimos cinquenta anos de regime, mostram um país contagiado por organizações criminosas, do mais pequeno funcionário público aos mais altos cargos da nação. A Máfia como um polvo, faz chegar os seus longos tentáculos à comunicação social, à política, até à justiça. A influência da camorra é um estigma presente na sociedade italiana, e daí a saltar-se para um estereótipo, que cunha essa mesma sociedade como corrupta, ou pelo menos aberta e tolerante à mesma, vai um pequeno passo...

        Antecedentes
         
        O futebol não escapa ao ambiente de suspeição reinante em Itália, e a histórias, os famosos casos remontam quase aos primeiros anos do futebol italiano. O primeiro escândalo fora em 1924, o Caso Rosetta, o primeiro de muitos escândalos que ciclicamente apareceram no futebol italiano até aos anos setenta.
         
        Em 1980, há seis anos que não havia um caso. O último fora o Caso Della Telefonata. Vivia-se um período de acalmia no calcio. O escândalo surgido em 1980 abalou todo o edifício futebolístico italiano, de uma forma sem precedentes.
         
        Clubes e jogadores de topo envolvidos, a imagem do futebol italiano profundamente denegrida, dentro e fora de portas, em vésperas da Itália organizar o Campeonato Europeu, recebido debaixo de críticas e completamente ignorado pelos italianos, que temporariamente declararam o seu divórcio com o futebol. 
         
        Uma frutaria em Roma
         
        Tudo começou em março de 1980, quando um vendedor de fruta na «Cidade Eterna», Massimo Cruciana, apresentou à polícia a queixa de uma presumível fraude. Cruciani, infomava as autoridades que tinha colaborado com o dono de um famoso restaurante da capital, na tentativa de aliciar jogadores da SS Lazio para estes colaborarem na manipulação de resultados no campeonato italiano, com vista ao jogo de apostas clandestinas, ligadas ao crime organizado.
         
        Paolo Rossi, o mais mediático dos jogadores implicados no «Caso Totonero».
        Segundo as suas declarações prestadas aos investigadores da polícia, os futebolistas tinham não só aceite ajudar na manobra de viciação de resultados, como tinham pedido em troca, uma percentagem dos ganhos.
         
        Sentido-se enganado por alguns dos participantes no esquema, Cruciani resolveu vingar-se denunciando o caso. Talvez assustado com as consequências, e arrependido, resolve fugir, mas acabou por ser descoberto e detido, tal como Alvaro Trinca, o dono do restaurante com quem Cruciani colaborara.
         
        Imprensa e prisões
         
        Dias depois, a história dava à estampa, e a imprensa italiana levava o escândalo a todo o país, que acordava chocado para uma nova realidade. Em pouco tempo a dimensão da rede era posta a nu. Vários jogadores implicados, alguns a serem detidos em pleno recinto de jogo, durante as jornadas da Série A e da Série B, disputadas a 23 de março de 1980. Entre os detidos mais famosos, encontrava-se o presidente do AC Milan, Felice Combo.
         
        Paolo Rossi, craque da seleção no mundial de 1978, era um dos implicados. Ele e mais 47 pessoas, jogadores e treinadores do futebol italiano, são chamados a prestar declarações na justiça. As imagens das detenções, dos suspeitos a serem transportados nas camionetas dos Carabinieri e da Guardia di Finanza, são famosas ainda hoje em Itália, por terem sido transmitidas em direto durante a transmissão do programa 90º Minuto
         
        Já na cadeia, Felice Colombo confessou que havia dado dinheiro ao guarda-redes do Milan, Albertosi, para manipular um jogo com a Lazio, jogado a 6 de janeiro de 1980. Descobre-se entretanto que Rossi combinara um empate a duas bolas entre o Perugia e o Avellino. Alargando as suspeitas a jogadores de topo do futebol italiano. Em vésperas de receber o campeonato europeu futebol, a honra do futebol transalpino caía na lama. 
         
        A 19 de maio de 1980, antes do julgamento, a Liga italiana de futebol profissional resolve punir os envolvidos na trama. 18 jogadores e quatro técnicos, foram formalmente acusados e castigados.  O AC Milan é administrativamente relegado para a Série B. O guarda-redes Albertosi e o Presidente milanês foram irradiados, Paolo Rossi foi sancionado com uma proibição de jogar que se estendia por três temporadas. Avellino, Bologna e Perugia começaram a temporada 1980/81 da Serie A, com menos cinco pontos, enquanto a Lazio, onde se começara a descobrir a trama, foi multada em 10 milhões de liras. Todos os castigos foram menores, do que o pedido tanto pelas autoridades fiscais como judiciais. 
         
        Dois meses depois, a Comissão Federal de Apelações  da Federação Italiana, confirmou as sanções que mais tarde seriam confirmadas pela FIFA, ordenando que a Lazio fosse também despromovida por via administrativa à Serie B. Na Serie B, tanto o Palermo como o Taranto, começaram a temporada de 1980/81, com menos 5 pontos.
         
        Além de mais irradiações, alguns jogadores viram as suas penas aumentadas para seis anos, enquanto Rossi via a sua reduzida para apenas duas épocas.
         
        A 23 de dezembro, a justiça não desportiva absolveu todos os réus. O juiz Mario Battaglini, presidente da 5º secção do Tribunal de Roma, declarou a ausência de subsistência nos atos imputados.  Dos participantes na trama, apenas Massimo Cruciani seria condenado a pagar uma multa de 300.000 liras, além do pagamento das custas processuais.
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        Futebol italiano