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      Atenas 2004
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      Atenas 2004: no labirinto do Minotauro

      Texto por João Pedro Silveira
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      A sina portuguesa nas olimpíadas mais recentes é de ficar sempre longe da sede dos Jogos. Tal como em Atlanta, também em Atenas os portugueses ficaram sediados longe do Estádio Olímpico. 

      Sorteado no grupo D, Portugal faria a estreia em Patras, no Peloponeso, e depois teria de rumar a Iráclio, capital da ilha de Creta, berço da civilização minóica e lendária casa do monstruoso Minotauro, meio homem, meio touro, que em Cnossos tinha o seu terrível labirinto, de onde supostamente ninguém conseguia escapar com vida.

      A lenda conta que o único que conseguiu escapar do labirinto foi o jovem Teseu, através da utilização de um novelo, cedido por Ariadne, a filha do Rei Minos, que se apaixonara perdidamente por ele.

      Nos jogos de 2004, a equipa nacional esteve longe de ser como Teseu, e não teve nenhuma Ariadne que o ajudasse. Valeu aos 20 jogadores nacionais não haver nenhum Minotauro na Creta dos nossos dias, senão a história teria sido ainda pior...

      Laureados ainda antes dos jogos

      O país ainda vivia na ressaca do euro 2004 e da traumatizante derrota na final contra a Grécia. Alguns portugueses sonhavam com uma consolação, sonhando conquistar a medalha de ouro em terras helénicas. Muitos sonhavam com a coroa de louros e a medalha de ouro, e alguns não o escondiam de ninguém...

      Cristiano Ronaldo era a estrela cintilante da equipa, mas havia ainda Raul Meireles, Bosingwa, Hugo Viana, Carlos Martins, Hugo Almeida... Os três jogadores com mais de 23 anos eram Boa Morte, Frechaut e Fernando Meira. As expectativas eram altas e o grupo parecia, à primeira vista, como um mero pró-forma necessário no caminho para a fase final. Com a oposição de Marrocos, Costa Rica e o Iraque, nem nos pesadelos dos mais pessimistas se imaginava o que estaria para vir...

      Quatro golos iraquianos!

      Na estreia, em Patras, no Peloponeso, bem perto da histórica Esparta, os guerreiros portugueses enfrentavam a seleção iraquiana, que era recebida nos jogos em festa, resultado da sua qualificação milagrosa, durante um período em que o país estivera em guerra, fora invadido e ocupado pelas tropas da coligação internacional comandada pelos Estados Unidos.

      ©Getty / Tony Marshall - EMPICS
      Alguns jogadores tinham participado na guerra, outros tinham desaparecido durante o conflito, e muitos dos jogadores treinavam em condições extremas, debaixo da possibilidade constante de um atentado ou de um tiro de um sniper. Bagdade tinha recolher obrigatório, e não havia ninguém na equipa nacional iraquiana que não tivesse sofrido a morte de um amigo, de um colega ou de um familiar...

      Sem dinheiro, sem campeonato nacional, sem nenhum jogador profissional, sem capacidade de treino, para os jovens iraquianos chegar aos Jogos representara tanto como ganhar uma medalha. Enfrentar os portugueses era uma oportunidade única, uma história para contar um dia aos netos.

      Por seu lado os portugueses entraram em campo sem esconder ao que vinham. Jogando lentamente, sem vontade, desrespeitando o adversário, confiantes da sua superioridade. Aos onze minutos, um autogolo colocou Portugal na frente e, podemos dizê-lo... tudo piorou.

      O público não escondia o seu afeto pela equipa iraquiana, apoiando cada ataque. O conjunto do Médio Oriente não acusou o toque e empatou a partida, somente três minutos depois do golo português. Apoiado pelos gregos, percebendo a falta de atitude do adversário, os iraquianos correram atrás do sonho e começaram a criar cada vez mais perigo. Aos 29 minutos, após muita insistência, e como resultado de um ataque muito confuso, o Iraque dava a volta ao resultado.

      Portugal tentou reagir, mas lenta e previsivelmente, não conseguindo criar perigo. Mesmo a terminar o primeiro tempo, e após um canto, num remate de ressaca de Bosingwa, o golo chegou. O empate caía do céu, mas nem isso demovia a equipa da triste atitude que tinha em campo.

      Na segunda parte, houve mais do mesmo, e os iraquianos apareciam isolados à frente de Moreira, provocando calafrios na defesa portuguesa. O 3x2 surgiu aos 56 minutos e Portugal parecia ser incapaz de reagir. Apostando tudo no ataque, descurava a defesa e deixava o venenoso contra-ataque iraquiano selar o resultado final aos 90 minutos. 4x2, Portugal perdia com o Iraque e o mundo pasmava...

      Marrocos e novo desastre

      Dias depois, o jogo contra Marrocos, tido como o principal adversário, foi encarado de outra forma. Aos golos de Cristiano Ronaldo e Ricardo Costa, Marrocos só conseguiu reagir com um golo. Ficava tudo em aberto para última partida contra a Costa Rica. 

      A Costa Rica empatara a zero com Marrocos e perdera por 2x0 com o Iraque, pelo que teria que vencer Portugal para tentar chegar aos quartos. Por sua vez, a Portugal bastava o empate para chegar à fase seguinte. José Romão deixava Viana, Ronaldo e Bruno Alves no banco, pensando já nos quartos de final.

      Hugo Almeida abriu o marcador aos 29 minutos e tudo parecia bem encaminhado, até João Paulo ser expulso ao acabar a primeira parte. Cinco minutos volvidos e a Costa Rica empatava, mas quatro minutos depois, Jorge Ribeiro deixava Portugal novamente na frente, na marcação de um livre direto. A Costa Rica voltou a carregar e a chegar ao empate aos 68 minutos, através de um autogolo de Meira. Três minutos depois, Sabório fazia o terceiro para os centro-americanos. 

      Soou o alarme no banco português e Romão mandava avançar Viana. Mas Portugal não conseguia manter posse de bola e apresentava uma defesa de papel. Aos 91 minutos a Costa Rica marcava o 4x2 e matava o jogo, Hugo Viana ainda seria expulso e Portugal despedia-se dos Jogos com uma prestação vergonhosa...

      A Costa Rica voltou a carregar e a chegar ao empate aos 68 minutos, através de um autogolo de Meira. Três minutos depois, Sabório fazia o terceiro para os centro-americanos.
       
      Soou o alarme no banco português e Romão mandava avançar Viana. Mas Portugal não conseguia manter posse de bola e apresentava uma defesa de papel.
       
      Aos 91 minutos a Costa Rica marca o 4x2 e matava o jogo, Hugo Viana ainda seria expulso e Portugal despedia-se dos Jogos com uma prestação vergonhosa...
      Enfrentar os portugueses era uma oportunidade única, uma história para contar um dia aos netos. Por seu lado os portugueses entraram em campo, sem esconder ao que vinham. Jogando lentamente, sem vontade, desrespeitando o adversário, confiante da sua superioridade. Aos onze minutos, um autogolo colocou Portugal na frente e tudo piorou.
      O público não escondia o seu afeto pela equipa iraquiana, apoiando cada ataque. O conjunto do Médio Oriente não acusou o toque e empatou a partida três minutos depois.
      Apoiado pelos gregos, percebendo a falta de atitude do adversário, os iraquianos correram atrás do sonho e começaram a criar cada vez mais perigo.
      Aos 29 minutos, após muita insistência, e como resultado de um ataque muito confuso, o Iraque dava a volta ao resultado.
       
      Portugal tentou reagir, mas lenta e previsivelmente, não conseguia criar perigo. 
      Mesmo a terminar o primeiro tempo, e após um canto, num remate de ressaca de Bosingwa, o golo chegou. O empate caía do céu, mas nem isso demovia a equipa da triste atitude que tinha em campo.
       
      Na segunda parte, houve mais do mesmo, e os iraquianos apareciam isolados à frente de Moreira, provocando calafrios na defesa portuguesa. O 3x2 surgiu aos 56 minutos e Portugal parecia ser incapaz de reagir. Apostando tudo no ataque, descurava a defesa e deixava o venenoso contra-ataque iraquiano selar o resultado final aos 90 minutos. 4x2, Portugal perdia com o Iraque e o mundo pasmava...
       
      Dias depois, o jogo contra Marrocos, tido como o principal adversário, foi encarado de outra forma. Aos golos de Cristiano Ronaldo e Ricardo Costa, Marrocos só conseguiu reagir com um golo. Ficava tudo em aberto para última partida contra a Costa Rica. 
       
      A Costa Rica empatara a zero com Marrocos e perdera por 2x0 com o Iraque e teria que vencer Portugal para tentar chegar aos quartos. Por sua vez, a Portugal bastava o empate para chegar à fase seguinte. José Romão deixava Viana, Ronaldo e Bruno Alves no banco, pensando já nos quartos de final. 
      Hugo Almeida abriu o marcador aos 29 minutos, tudo parecia bem encaminhado até João Paulo ser expulso ao acabar a primeira parte.
       
      Cinco minutos volvidos do intervalo e a Costa Rica empatava, mas quatro minutos depois, Jorge Ribeiro deixava Portugal novamente na frente, na marcação de um livre direto.
      Sem dinheiro, sem campeonato nacional, sem nenhum jogador profissional, sem capacidade de treino, para os jovens iraquianos chegar aos Jogos representara tanto como ganhar uma medalha.Atenas 2004: o desastre 
       
      A sina portuguesa nas olimpíadas recentes é ficar sempre longe da sede dos Jogos. Tal como em Atlanta, também em Atenas os portugueses ficaram sediados longe do Estádio Olímpico.
      Sorteado no grupo D, Portugal faria a estreia em Patras no Peloponeso e depois rumaria a Iráclio, capital da ilha de Creta
      O país ainda vivia na ressaca do euro 2004 e da traumatizante derrota na final contra a Grécia. Alguns portugueses sonhavam com uma consolação, sonhando conquistar a medalha de ouro em terras helénicas.
      Cristiano Ronaldo era a estrela cintilante da equipa, mas havia ainda Raul Meireles, Bosingwa, Hugo Viana, Carlos Martins, Hugo Almeida... Os três jogadores com mais de 23 anos eram Boa Morte, Frechaut e Fernando Meira. As expectativas eram altas e o grupo parecia, à primeira vista, como um mero pró-forma necessário a caminho da fase final.
      Com a oposição de Marrocos, Costa Rica e o Iraque, nem nos pesadelos dos mais pessimistas se imaginava o que estaria
      Comentários (3)
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      motivo:
      em 2004
      2020-03-17 10h18m por unsub
      acabamos como a equipa mais indisciplinada , fomos os que tivemos mais cartoes e só demos barraca levamos 4 do iraque e 4 da costa rica
      Jmmj31
      2020-03-17 08h47m por Jmmj31
      Bom dia. Só para corrigir uma fato importante na peça. A seleção olímpica iraquiana antes dos jogos olímpicos, entrou em estagio em Maio, estrategicamente participou na taça asiática que se realizou em julho de 2004 na China e cujo ultimo jogo foi em 30 de julho contra a China , tendo depois continuando os últimos 10 dias de preparação na Grecia. Salientar também que Portugal teve um jogador expulso contra Iraque que vocês se esqueceram de mencionar quando resultado estava empatado. Cumpr...ler comentário completo »
      . . .
      2012-07-25 20h28m por Amazing_Spider-Man
      bem me lembro, estivemos a ganhar com os iraquianos e fomos perder. no fim fiquei a olhar espantado para o ecran. terrivel Olimpiada, Ronaldo claro foi o unico que brilhou.
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