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      História da edição

      Champions 06/07: O acerto de contas

      Texto por Redação
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      Era impossível não ter na mente a final de 04/05. Duas épocas antes, Milan e Liverpool encontraram-se em Istambul para uma das mais épicas reviravoltas da história do futebol, que coroou os reds como campeões europeus. 728 dias depois, em Atenas, os italianos não podiam estar de outra forma que não desconfiados, só que os deuses gregos alinharam a lógica e, com a preciosa colaboração de Kaká e Inzaghi (ou então o inverso), fizeram com que o Milan erguesse a sua sétima Liga dos Campeões.

      Esta foi a edição em que, pela primeira vez, Portugal contou com três equipas na competição, sobretudo fruto dos reflexos das conquistas portistas anos antes, embora sem grandes resultados práticos: o Benfica e o Sporting ficariam pelos grupos, o FC Porto pararia nos oitavos de final, contra o Chelsea de Mourinho.

      FC Porto caiu com o Chelsea ©Clive Mason / Getty Images
      Uma edição onde, bem vistas as coisas, não se pode falar que tenha havido uma enorme surpresa. É verdade que o campeão Barcelona caiu nos oitavos, contra o ex-campeão Liverpool, e também é um facto que o PSV surpreendeu ao deixar para trás o finalista Arsenal - os holandeses foram o maior outsider e só foram afastados nos quartos de final. De resto, tudo com uma boa dose de lógica e alguma extra de curiosidade em relação ao Chelsea de Mourinho, que ia prometendo chegar à máxima glória europeia.

      Cairia nas meias-finais, tal como dois anos antes, também com o Liverpool, mas agora no desempate de grandes penalidades. Continuava a não dar para ganhar a Premier League, mas a equipa de Rafa Benítez voltava ao mais alto degrau da Europa e pela frente tinha um Milan teoricamente menos forte: primeiro, porque a principal estrela, Shevchenko, saíra no verão anterior para Stamford Bridge; depois, porque aos de Ancelotti já se começava a apontar alguma veterania em demasia (seria um problema, mas ainda não naquele ano).

      É que havia Kaká. Não se pode dizer que tenha ganho jogos sozinho, mas transformou muitos nulos aborrecidos em páginas apaixonantes de futebol one man show. Era ele, sempre ele a decidir. Mesmo que, na final, os dois golos tenham sido de Inzaghi, que jogava fixado na frente a testar os adversários com a linha de fora de jogo (difícil apontar alguém tão exímio nesse capítulo). Veja-se, aliás, o segundo golo dessa final, após passe delicioso de Kaká. O mesmo que sofrera a falta que deu origem ao primeiro golo.

      Era um Milan cínico, de pouco fulgor, e, sim!, já com alguma velhice na equipa: Maldini estava a um mês dos 40, Dida (34), Inzaghi (33), Seedorf (31), Oddo (também com 31 e a deixar Cafú no banco, com 37). Sem Sheva, era óbvio uma necessidade de jogar diferente, até porque Ronaldo, o Fenómeno, tinha chegado em janeiro, mas sem poder jogar a Liga dos Campeões por já o ter feito com o Real Madrid. No fundo, a equipa arrumava-se num 4x4x2 que continuava a ter losango no meio-campo, embora mais prudente do que anteriormente: Kaká não estava no vértice ofensivo do meio-campo, mas sim como elemento da frente, vagabundo nas costas de Pippo Inzaghi; Ambrosini conseguia finalmente a titularidade para dar ainda mais pausa ao miolo orquestrado por Pirlo, mais Gattuso a destruir e Seedorf a equilibrar.

      Ronaldo fez dois à Roma nos quartos ©Alex Livesey / Getty Images
      Foi esta equipa vencer a Munique (0x2), depois de um empate a dois em Milão, e depois chegar às meias-finais, onde pela frente estava um Manchester United a reconstruir a glória europeia, que chegaria no ano seguinte. Esta foi, diga-se, a edição em que Cristiano Ronaldo finalmente se estreou a marcar (quem diria) numa prova onde seria rei pouco tempo depois. Fê-lo nos arrebatadores 7x1 contra a Roma, numa noite fantástica em Old Trafford, que despertou nos adeptos o desejo de juntar a Champions ao provável campeonato.

      Assim não foi e Kaká teve enorme dose de responsabilidade. O Milan até perdeu 3x2 em Manchester, mas os seus dois golos e a forma como destruiu a defesa dos red devils mostrou que o brasileiro podia tudo. No fundo, mostrou-o como melhor jogador do Mundo na altura - e assim seria considerado no fim do ano. Bem podia Sir Alex Ferguson lamentar a lesão de Rio Ferdinand que o tirou dos dois jogos (e sim, claro que Kaká já não passaria tão facilmente), mas pouco conseguiu fazer em San Siro, onde o brasileiro meteu a sua equipa à frente da eliminatória, antes de Seedorf e Gilardino confirmarem a ida a Atenas.

      Na final, no estádio onde os rossoneri até tinham jogado e perdido na fase de grupos, nem o Milan podia pensar em facilidades (pudera...), nem o Liverpool se podia fiar numa dose de felicidade como a que tivera em 2005. Por isso, foram os ingleses a entrar melhor, numa primeira parte em que o Milan nada fez... até ao golo em cima do intervalo, num livre de Pirlo que desviou em Inzaghi. Dudek, então suplente de Pepe Reina, roía as unhas no banco, ansioso por um cenário que pusesse lá dentro para voltar a ser herói - sonho que acabou ao minuto 78, quando Benítez esgotou as alterações. Sorrateiramente, chegariam ao segundo ao minuto 82, numa altura em que a prioridade era estancar o Liverpool antes de Gerrard e companhia chegarem ao último terço - tarefa cumprida com distinção.

      Quando Kuyt, uma das boas revelações do Liverpool naquela época, reduziu para 1x2 aos 89 minutos, acendeu-se a chama de Istambul, só que os italianos desta vez souberam controlá-la e evitar novo incêndio. Como em 2003, Carlo Ancelotti voltava a ser coroado rei da Europa e desta vez com muito mais dose de importância de Kaká, o melhor da prova.

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      jogos históricos
      U Quarta, 23 Maio 2007 - 19:45
      Oaka Spiridon Louis
      Herbert Fandel
      1-2
      Dirk Kuyt 89'
      Pippo Inzaghi 45' 82'
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      Oaka Spiridon Louis
      Lotação68069
      Medidas-
      Inauguração1982