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Frank Lampard: Super Frankie

Texto por Gaspar Castro
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«Um dos meus melhores jogadores de sempre, um dos melhores profissionais que tive. Uma lenda do Chelsea e uma lenda da Premier League». As palavras são de José Mourinho, que teve o privilégio de comandar Frank Lampard em cinco temporadas, e mostram bem o legado de um dos melhores médios que a Inglaterra já viu. 

Lampard foi um símbolo em Stamford Bridge a que apenas outras lendas como John Terry ou Gianfranco Zola se poderão comparar. Ao longo de 13 anos ganhou tudo o que tinha para ganhar por lá e é até hoje o melhor marcador da história do clube londrino, com 211 golos marcados. Quase nem era preciso ponta-de-lança havendo Super Frankie no meio-campo...

Hammer em primeiro lugar

Frank James Lampard nasceu nos arredores de Londres a 20 de junho de 1978, filho de Frank Lampard Sr., então jogador profissional do West Ham. Ao longo de uma infância privilegiada frequentou a reputada Brentwood School e rapidamente se viu no pequeno Frank um nível de inteligência acima da média, mesmo fora dos relvados e dentro das salas de aula... diz-se até que tem um raro quociente de inteligência de 150. O precoce sucesso académico não o afastou do caminho rumo ao futebol profissional e em 1994, tinha Frank 16 anos, chegou a altura de integrar um clube. A escolha só podia ser o West Ham.

©Getty / FRANCK FIFE

O pai era então treinador adjunto no clube, Frankie era adepto ferrenho, tinha o hammer escocês Frank McAvennie como ídolo. Ser jogador profissional do West Ham era o sonho, estava Lampard longe de saber que viria a ir bem mais além do que isso ao longo da carreira. Mas o primeiro passo foi mesmo esse: em 1995 assinou o primeiro contrato profissional, pouco antes de ser emprestado ao Swansea para se começar a afirmar no futebol profissional.

O País de Gales foi casa temporária, o regresso a Londres foi rápido e a conquista do espaço na equipa principal do West Ham também... só que a suposta época de afirmação foi interrompida por uma lesão grave. Foi a partir da temporada seguinte que começou a chegar à marca dos 40 jogos por ano e foi também aí que começou a mostrar a veia goleadora: ainda com 19 anos, fez o primeiro hat-trick da carreira num jogo da Taça da Liga inglesa.

©Getty / Rui Vieira - PA Images

O protagonismo estava conquistado, Lampard levou o clube de sangue até ao quinto lugar da Premier League, valendo o apuramento para a Taça Intertoto (que veio a conquistar), e em 1999 chegou à seleção principal inglesa, ainda com 21 anos e como jogador do West Ham. Em 2001, o Chelsea foi bater à porta do clube vizinho: 16 milhões de euros ficaram nos cofres dos hammers, Frankie fez a curta viagem da zona este para o oeste londrino... e começou a transformar o sucesso em glória. 

A Blue legend

Os tais milhões pagos pelo Chelsea criaram burburinho em Inglaterra... para quê pagar tanto? Entre os adeptos dos hammers, o sentimento generalizado era de que o clube tinha feito um grande negócio... mas não foi preciso esperar muito para 16 milhões de euros passarem a ser uma pechincha.

©Getty / ADRIAN DENNIS

O centro do terreno era o seu habitat natural, era um playmaker nato, mas Lampard adequava-se a qualquer função no meio-campo. Altamente consistente, manteve sempre o nível alto ao longo dos anos que jogou em Stamford Bridge... podia não ser sempre estupendo, mas nunca falhava, não precisava de puxões de orelhas de qualquer treinador, exibindo a tal apetência para os golos que nunca o deixou. O primeiro a comandá-lo foi Claudio Ranieri, numa época de estreia em que o médio foi sempre primeira opção. Mas para chegarem os títulos faltava chegar... Mourinho.

Lampard e o seu Chelsea tinham ido até às meias-finais na Liga dos Campeões que o Special One conquistou com o FC Porto e o médio tinha já brilhado por Inglaterra no Euro2004, num trajeto que terminou contra Portugal -  empatou o jogo dos quartos-de-final e forçou os penáltis, que os lusos venceriam com um Ricardo sem luvas. Logo depois, Mourinho chegou a Stamford Brige e o futebol de Lampard atingiu um novo nível. 

©Getty /
A sua importância para o futuro do clube ficou bem óbvia lá para o fim dessa primeira época com o Special One: o Chelsea caminhava para o primeiro título da Premier League desde 1955, precisava de vencer em Bolton para o garantir. Ao intervalo estava tudo a zeros, mas na segunda parte Lampard arrumou com a questão: marcou dois golos, garantindo a primeira de duas Premier Leagues consecutivas. Nesse ano de 2005 foi ainda distinguido como o segundo melhor jogador do mundo, algo que nenhum outro inglês conseguiu repetir desde então.

©Getty / ADRIAN DENNIS

Alguns anos depois viria também a glória nas competições europeias, muito por mérito... dele próprio. Quase chegou em 2008, quando Lampard empurrou os blues até à final da Liga dos Campeões, marcando um penálti decisivo na meia-final contra o Liverpool apenas seis dias depois de ter perdido a mãe. Marcou também na final, mas a taça foi então para o Manchester United de Cristiano Ronaldo e companhia. Chegou mesmo em 2012, à 11ª época de Lampard no Chelsea, com a equipa de Roberto Di Matteo a vencer a Champions contra o Bayern e contra todas as expectativas, ou não fosse essa final em Munique. Comandados pelo número 8 no meio-campo, os blues atingiram a glória inesperada.

Antes da despedida, Lampard conquistou ainda uma Liga Europa e tornou-se o melhor marcador da história do clube londrino. Disse adeus ao clube em 2014, em final de contrato e já com 36 anos, aparentemente no fim de carreira.

O final nos dois City

©Getty / Shaun Botterill

Para trás estavam mais de 100 internacionalizações, presenças em três Mundiais e um Europeu e 14 títulos de clubes. Frank Lampard parecia pronto para a reforma dourada e foi anunciado como reforço iminente do New York City em 2014. Com a estreia da equipa na MLS marcada para o início de 2015, o já veterano médio foi , pelo meio, até Manchester para representar o City local, o principal clube do City Football Group. Era suposto ser só por uns meses, foi uma temporada inteira no seu país-natal.

©Getty / D Dipasupil
Lampard jogou 38 vezes e marcou oito golos ao serviço do Manchester City, que foi então vice-campeão. A mudança para Nova Iorque lá acabou por acontecer, mas apenas no verão de 2015, com Lampard a formar um trio de estrelas composto também por Andrea Pirlo e David Villa. A época de estreia na Big Apple não foi boa, com a equipa a ficar fora dos play-offs, a segunda (e última) mostrou pela última vez um Lampard em grande plano, com 12 golos marcados em 21 jogos, incluindo um hat-trick, e a presença nas meias-finais da conferência este.

Parecia então inevitável o final da carreira, Lampard anunciou aos 38 anos que iria pendurar as chuteiras. A carreira como treinador começou no Derby County e já foi até... ao Chelsea, o clube em que o Super Frankie se tornou uma lenda do futebol inglês.

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Comentários (1)
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2020-03-26 12h55m por LuzAnfieldCampNou
foi um jogador de espectaculo! Mas foi de uma consistencia e disciplina tactica de alto nivel. Um verdadeiro Box to Box da era moderna. Aquilo que Mou quiz fazer do Pogba e este mimado recusou, e la vai passando ao lado de uma grande carreira.

Melhor que o Lampard talvez o Michael Ballack (este alemao foi demasiado incrivel), uma venia!!!