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      2019/08/20
      E5
      Sei que não há explicação para tudo o que acontece dentro de campo, mas não me conformo. Falemos de dúvidas e inquietações, do passado e do futuro, dos génios da táctica aos treinadores da alma. E dos artistas, claro. Que seja o que o futebol quiser.

      O futebol de 2019 é diferente de outros “futebóis”. Um encontro da década de 50 ou 60 do século passado tinha mais avançados do que defesas em campo e o resultado faria inveja ao hóquei em patins. Mas não precisamos de ir tão longe para observar mudanças. Desde logo, a “era da informação” em que vivemos levou aos limites o estudo da própria equipa e do adversário, fortalecendo a dimensão táctica. Além disso, potenciou o crescimento exponencial de diversas áreas que têm implicações no rendimento individual e colectivo - tecnologia de ponta no treino e métodos para prevenir lesões, por exemplo. Por aqui se percebe que temos um jogo mais exigente do que nunca, com níveis de preparação táctica e física absolutamente impensáveis há uns anos.

      As comparações entre jogadores de períodos distintos são sempre de evitar, porque as realidades em que estão inseridos não são as mesmas. Vamos a um exemplo actual. A propósito da (suposta) transferência de Bas Dost, os adeptos dividiram-se entre os que acreditam que o Sporting se ia livrar de um dependente que prejudicava o colectivo e os que julgam que o clube venderia um goleador como há poucos. Houve quem pegasse no exemplo de Mário Jardel, outro matador de área com características singulares.

      Não é por acaso que os pontas-de-lança como Bas Dost são uma espécie em vias de extinção. No início dos anos 2000, o futebol permitia que os guarda-redes apenas tivessem de defender, tal como os centrais. Havia um ou dois médios para destruir em praticamente todas as equipas. O avançado só tinha de finalizar. Existia uma divisão mais clara de funções, no fundo. A complexidade do futebol actual é muito alta e acaba por retirar espaço aos jogadores específicos - fortes num determinado aspecto, mas com lacunas evidentes no resto.

      Em 2019, o jogo é visto de uma forma global. Todos atacam e todos defendem. O guarda-redes está no início da construção (sempre com excepções, entenda-se) e o avançado define a primeira pressão. Para acompanhar a evolução, o futebolista tem vindo a adquirir ferramentas que lhe permitam adaptar-se a diferentes contextos. Durante a formação, é comum que passe por várias posições, ganhando consciência sobre as exigências específicas de cada uma. Tal como na própria sociedade, valoriza-se quem saiba fazer “um pouco de tudo”, que possa ser lateral ou médio, que jogue por dentro ou por fora sem perder utilidade. Num jogo global, reina o futebolista global.

      Bas Dost não é ponta-de-lança para uma equipa cheia de dúvidas existenciais. O Sporting de Keizer não consegue servi-lo na zona em que pode fazer a diferença - a área - e o goleador tem passado regularmente ao lado das partidas. Jogando tão longe da baliza, a única qualidade que o distingue não aparece. Luiz Phellype não é melhor do que o holandês, mas oferece mais mobilidade e, sobretudo, capacidade de pressão na frente. Trata-se de uma escolha de características (nenhum futebolista pode dar aquilo que não tem) e não do reconhecimento do valor absoluto do brasileiro. Com Jesus, sobretudo, Dost servia os interesses dos leões porque era alimentado convenientemente. Agora, o contexto mudou. O Sporting talvez nem consiga contratar um ponta-de-lança com nível superior ao do ex-Wolfsburgo. Mas, pelo menos, quem vier será capaz de fazer mais coisas.



      Comentários (5)
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      motivo:
      . . .
      2019-08-29 13h01m por xithombo
      Este artigo foi retirado dum trabalho de fim de curso? De que escola? Estes jornalistas armados de experts de futebol vão nos bombardeando com Estes textos cheios de teorias, Como se a gente não assistisse os mesmos jogos que eles. Houve evolução das especies, mas não houve desenvolvimento. O futebol ficou mais pobre, perdeu a beleza, enfim.
      DU
      Não concordo em parte. . .
      2019-08-20 19h21m por Dumars
      Não concordo quando diz que o ponta de lança de área estilo Bas Dost e Jardel está em extinção e que não se adapta ao futebol moderno, porque o futebol moderno é aquilo que as equipas quiserem.
      Veja-se a titulo de exemplo o caso do Marega no Porto, que fez dele um jogador chave da sua dinâmica atacante, mas que dificilmente se encaixaria noutro estilo de jogo.
      Outro exemplo pode ser o Dybala na Juventus, que com a chegada de Ronaldo perdeu espaço porque não encaixa no estilo....ler comentário completo »
      FR
      Tomas da Cunha
      2019-08-20 15h51m por frame
      Caro mancebo, o que vem a ser este texto que diz muito sobre jogadores e nada sobre futebol?

      Uma coisa são caracteristicas do jogador, outra coisa é o plano tatico, não vejo o futebol da maneira deste senhor. . .

      Existem variados tipos de jogadores e que podem oferecer varias utilidades as equipas onde jogam, é o único ponto que concordo com este artigo, de resto, bola.

      No tempo de Jesus o Sporting era uma equipa equilibrada tanto a nivel defe...ler comentário completo »
      Jardel, Bas Dost e a evolução (. . . )
      2019-08-20 15h22m por LiedsonResolve
      Mais um bom artigo do Tomás, concordo na íntegra. É evidente que o futebol se apromixa hoje muito mais de outros desportos coletivos (futsal, basket, hockey, etc. ), na medida em que é pedido a todos os jogadores que intervenham nas diversas fases e processos coletivos. Jogadores "unidimensionais" têm cada vez mais dificuldade em encontrar o seu espaço nas equipas mais competitivas.
      PO
      Mais um "expert" em futebol
      2019-08-20 13h52m por PortoDragao
      Que não sabe do que fala.
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