A preto e branco
Luís Cirilo Carvalho
2019/03/07 23:53
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"A Preto e Branco” é uma coluna de opinião que procurará reflectir sobre o futebol português em todas as suas vertentes, de uma forma frontal e sem tibiezas nem equívocos, traduzindo o pensamento em liberdade do seu autor sobre todas as questões que se proponha abordar.
Começando lá por fora há que destacar aquilo que parece ser o fim de um ciclo no Real Madrid, com a equipa merengue a ser eliminada da Taça do Rei e depois da Liga dos Campeões, vendo-se assim impossibilitada de atingir o tal tetra que ninguém consegue desde há mais de cinquenta anos, quando outra equipa “galáctica” do mesmo Real Madrid conseguiu o feito de vencer cinco taças dos campeões de forma consecutiva.
 
Se a isso se juntarem os doze inultrapassáveis pontos de atraso para o Barcelona na Liga espanhola pode falar-se de um ano de fracasso no clube e do fim de um ciclo de vitórias que lhes permitiu vencer, entre outros troféus, quatro Ligas dos Campeões nos cinco últimos anos.
 
Para aqueles no Real Madrid, que com uma arrogância mesclada de alguma xenofobia diziam que a saída de Ronaldo não teria qualquer influência e o clube continuaria a ganhar da mesma forma, está feita a prova de que não tinham qualquer razão e que o genial avançado português era mesmo insubstituível numa equipa onde fazia toda a diferença. Bem feito!
 
Ainda lá por fora há a registar mais um fracasso do PSG na Liga dos Campeões, desta feita eliminado por um Manchester United que, embora longe de anos recentes em termos de qualidade futebolística, continua a ter um naipe de jogadores que não pode ser menosprezado.
 
Vencendo em Manchester por 2-1, o PSG terá olhado para o segundo jogo como um pró forma que mais golo menos golo se resolveria sem dificuldades de maior. Enganou-se. E a sua principal estrela, Neymar, teve mais uma prova do erro que cometeu ao trocar Barcelona por Paris em busca de ombrear com Ronaldo e Messi no galarim máximo do futebol mundial, porque muito dinheiro não significa necessariamente muito sucesso e em termos europeus o PSG não é um clube na primeira linha de candidatura a vencer a Liga dos Campeões.
 
Cá por dentro duas notas particulares.
 
Uma para o Benfica, que sob o comando de Bruno Lage tem vindo a recuperar na tabela classificativa, também por força da perda de pontos do Porto nas duas visitas a Guimarães (empates com Vitória e Moreirense) mas essencialmente pelo justo triunfo no “Dragão”, associando a essa recuperação pontual uma clara subida na qualidade do futebol exibido em relação aos tempos de Rui Vitória.
 
O Benfica, hoje, joga bem e isso deve-se em grande medida ao novo treinador e à aposta que ele tem feito em jovens que conhece muito bem do Seixal e que têm trazido à equipa uma qualidade e uma irreverência assinaláveis, mas também à subida de forma de alguns jogadores que fizeram uma primeira metade da época muito discreta.
 
Liderando a tabela, tendo vencido no “Dragão”, em Alvalade e no D.Afonso Henriques, e restando ao Benfica uma saída de risco com a ida a Braga na última semana de Abril, tudo indica que o clube lisboeta é o principal candidato a vencer a Liga. A seu tempo se verá.
 
Finalmente, uma palavra para o desagradável caso que opõe Vitória e Sporting em torno do (não) pagamento da transferência de Raphinha dos “Conquistadores” para os “leões” efectuada no início da corrente época e que vai agora para tribunal, ao que tudo indica. 
 
A questão é aparentemente simples. Em Janeiro de 2018, os dois clubes terão acordado a transferência do jogador, a efectuar no final dessa época, com as contrapartidas financeiras que ambas as partes terão livremente acordado nas negociações entre as duas SAD. No início da corrente época, o jogador apresentou-se em Alvalade, mas o dinheiro não se apresentou em Guimarães tendo o Sporting falhado os sucessivos pagamentos a que se tinha comprometido até à data, pese embora todos os esforços do Vitória para receber as verbas a que tem direito.
 
É portanto natural que o clube vimaranense, que ficou sem o jogador (que tão importante foi para o clube na passada temporada) e sem o dinheiro com que contava para cumprir os seus próprios compromissos, recorra aos meios legais que tem ao seu dispor para receber as verbas a que tem direito e que durante meses procurou debalde receber.
 
Já o Sporting, que não tem dinheiro para pagar Raphinha mas teve dinheiro para se reforçar no mercado de Janeiro, não tem razão para a indignação que ostenta (falam até em corte de relações por iniciativa do devedor e não do credor, o que não deixa de ser uma originalidade) porque quem está em falta é ele e não o Vitória, como está bom de ver. Tratando-se de dois clubes históricos e que tradicionalmente se dão bem, espera-se que o assunto se resolva da melhor forma e sem ser necessário o recurso aos tribunais, mas fica o alerta para mais uma situação no futebol português em que não foi cumprido o que foi combinado. Ou como se diria noutros lados a palavra dada (ainda) não foi honrada!


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